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Na burocracia, boa parte da inibição ao crescimento

Por adelto - 08/08/2013 - Breaking News

SÃO PAULO – Nada menos que 80% das pessoas entrevistadas para a publicação Retratos do Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), consideram que o País é burocrático ou muito burocrático. E mais de 70% entende que a burocracia provoca alta do preço de produtos e serviços, desestimula negócios e dificulta o crescimento econômico.

Ainda pior, burocracia demais favorece a corrupção: além da questão ética, a economia é afetada. A pesquisa confirma o que a maioria dos brasileiros sabe na prática. E ajuda a explicar por que a energia perdida nos meandros oficiais resulta em taxas de crescimento aquém do potencial brasileiro.

Interna e externamente, o Brasil já é conhecido pelo excesso de burocracia. Em 2013, o estudo Doing Business, do Banco Mundial, classificou o País no 121.º lugar entre aqueles onde é mais difícil empreender, de um total de 185 países analisados. Em 2012, o País ocupou a 122.ª colocação, ou seja, evoluiu apenas uma posição neste ano.

Segundo a CNI, a maioria acha difícil fazer um inventário, requerer aposentadoria, fechar uma empresa e tirar passaporte. Também é difícil limpar o nome e até alugar imóvel e tirar carteira de motorista. Os entrevistados também afirmam que deveria ser prioritário combater a burocracia. Parece óbvio, mas não é.

No passado, criar dificuldades para vender facilidades era a máxima adotada na política e em grande parte dos serviços públicos. Mas ainda hoje 57% dos brasileiros pensam que a burocracia é um mal necessário a ser tolerado e 63%, que ela coíbe o mau uso de recursos públicos.

Na verdade, excessos burocráticos elevam os custos das empresas e pesam nos orçamentos domésticos. Perdem-se recursos que iriam para consumo ou investimentos.

Entre a penúltima e a última pesquisa semanal Focus, a mediana das projeções para o PIB deste ano caiu mais uma vez, de 2,28% para 2,24%. A maioria dos economistas espera crescimento de apenas 2%. Há explicações para isso: incertezas quanto à inflação e aos compromissos fiscais; dificuldades externas; tributos altos; infraestrutura decadente; e, ao mesmo tempo, aparelhamento do Estado por pessoal pouco qualificado, incapaz de atrair investimento na magnitude de que o Brasil precisa para voltar a crescer.

O excesso de burocracia é marca da péssima qualidade de grande parte dos serviços públicos – geridos diretamente pelo Estado ou concedidos a companhias privadas. E isso empurra o PIB para baixo.(Editorial Econômico).

Fonte: O Estado de S.Paulo

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